sexta-feira, 26 de junho de 2009

Mulheres

Não sei exatamente se é uma falha na memória, algum tipo de bloqueio ou se realmente não aconteceu, mas não me recordo de cenas nas quais fui alvo da intimidação feminina, proposital ou não.
Sem me sentir superior ou algo do tipo, a questão é que alimento tamanho respeito e admiração pelo gênero que não acho possível confrontá-las ou medir suas virtudes e defeitos.
Creio que muito desse modo de me relacionar com as mulheres se deve ao fato de minha criação ter se dado em meio a um ambiente repleto de incisões do planeta feminino.
Apesar de fazer parte de famílias com características típicas patriarcais, sempre participei dos “bastidores do poder”. Muito observador, eu vivia na casa de tias, avós, em casa com a empregada doméstica, na empresa de meu pai entre uma sala e outra, constantemente cercado por mulheres dos mais diferentes tipos, estilos, idades, planos, pensamentos, atitudes.
Com este convívio passei a enxergar a força, o jogo de cintura e o real poder do sexo feminino como um todo e, em especial, dentro de minha família. Minha ambientação nestes círculos foi desde o início desapercebida por todas as partes, com naturalidade realmente espontânea.
Acredito ser este o motivo pelo qual não me sinto constrangido, intimidado ou busco me exibir superior na presença de mulheres, quantas ou quaisquer que foram suas ligações comigo. Simplesmente as amo em todos os aspectos, incondicionalmente.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Início


Bauru, Recanto do Pica-pau. Maio, dia 17 de 1990.
Cedo, bem cedo.
Não havia notado ainda tais fios longos e escuros. Não dessa maneira.
Ainda úmidos, recém lavados naquela manhã de sol. Um cheiro relaxante tomou conta dos sentidos com degustável maciez. Um por um foi se entregando ao momento.
Olfato. Assemelhava-se a um brinquedo há pouco tirado da caixa, roupa nova, carro zero.
Visão. Sentia a textura dos cabelos molhados e cuidados, frios, belos e delicados.
Paladar. Era tomado pelo sabor nostálgico-retrospectivo daquilo que ansiava provar mas ainda desconhecida a intensidade.
Audição. Silêncio, tudo foi subtraído para aguçar os demais sentidos, um escuro sonoro quase tátil.
Tato. Tudo sai de sintonia, destoa, assusta e surpreende. Sinto seu toque em meu braço: “Oi Dolpho, tudo bom?”
Não sei ao certo se demorei a responder ou me mantive calado a observá-la. Precisamos contar com a sorte em momentos como este, desta vez funcionou: “Bom dia, classe”, emitiu a professora ao entrar na sala.
Cabelos pretos, compridos e perfumados era o que domava meus sentidos. Olhos verdes e fortemente delineados ditavam meus olhares. Sobrancelhas de expressivos traços, pele morena e delicada, bochechas que conferiam parecer de boneca ao rosto. Inteligente. Extremamente inteligente e desafiadora. De gênio forte e incisivo, esta era Maíra.
Com apenas 6 anos era assim que minha história de amor por mulheres teve seu início. Sem conhecimento de sua abrangência, me rendia aos poderes desses seres tão fascinantes, dominantes, dóceis e maravilhosamente amáveis.