terça-feira, 4 de agosto de 2009

Antiga novidade

Com apenas um toque, você deixa alguém admirado
Um olhar fixo pode roubar o fôlego
Com a palavra certa, muda-se uma vida
É necessário apenas um suspiro para tornar-me sublime

Pequenos gestos conseguem criar grandes transformações
Em um desligamento corriqueiro instaura-se o fim
Um olhar desencontrado foge com a esperança
Palavras precipitadas absorvem toda a luz

O grito abafado nunca se impõe a tempo
Seu silêncio denotou milhares sentimentos
Sensações que talvez não devessem existir
Palavras que, se pronunciadas, manteriam cores

É difícil despertar para um mundo ainda fresco
Um ancião no assunto, uma criança na situação
Falta de inocência ou excesso desta, nunca sabe
Do passado, herdamos conhecimento inútil

Linhas tênues que não informam sobre adversidade presente

Ensinamento árduo e totalmente necessário
Saber perder deve ser um dos grandes dons da vida
Entendo porque ainda não encontrei sentido nela
Perder, ao menos no dicionário, vem sempre antes de reconquistar

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Exageros?

A escolha mais simples é nada escolher.
Confesso que também fiquei indignado com a idéia na primeira vez que a li. E veja que fui eu quem a escreveu.
Mas, se devidamente contextualizada e com pitadas de transparência, sem dúvidas, este percurso é eficaz temporariamente.
Abstrair resultados, reflexos e conseqüências soa como algo egocêntrico demais para os grandes altruístas emocionais. Entretanto, o envolvimento entre modernos exige cada dia mais o controle. Diagnóstico saudável dos primeiros emplastros.
Tudo é aventura, tudo é novo, tudo é instigante e imutável.
O excesso de informação sempre seguiu o rastro do excesso de amor. Exatamente. Da mesma maneira que a erupção diária de informações gera a desinformação, os devaneios de amor romântico desenfreado dão à luz a fraqueza do sentimentalismo.
Para desfrutar ao máximo de tais adventos é necessário saber como captar as essências realmente desejadas e importantes, aquelas que fazem cada um crescer e evoluir, mesmo que temporariamente.
Não é necessário ceder, não é necessário mudar. Não é necessário ao menos parecer ou ser real.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Pequena Valsa

Simples obra do acaso
Tudo parece tão fora do comum
Intrigante obra do destino
Torna o acaso tão complicado em lidar.

Irônica mania do acaso
Trata de atar nós encarcerando desejos
Cômica mania do destino
Tem a audácia de remoer sem se expressar.

Remanescente vestígio do acaso
Manuseia incertezas para mantê-las incertas
Inocente vestígio do destino
A certeza encontra o real para se tornar pueril.

Desinteressante acaso.
Perde-se tudo, chão, teto, paredes e o correto alvo
Intrigante destino
Tece um fio de esperança para dar seqüência aos dias.

Reviravolta da mudança do acaso
A normalidade inicial ressurge abrupta
Tráfego inconstante do destino
Aproxima, distancia, torna única e plurifica.

Mas aquela pitada verde nunca some ou desencanta. Dessa maneira, a dança do acaso com o destino se rompe em sentimentos antagônicos e maestrais. Não sentidos ou sem sentido por serem exibidos com eufemismo grave.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Mulheres

Não sei exatamente se é uma falha na memória, algum tipo de bloqueio ou se realmente não aconteceu, mas não me recordo de cenas nas quais fui alvo da intimidação feminina, proposital ou não.
Sem me sentir superior ou algo do tipo, a questão é que alimento tamanho respeito e admiração pelo gênero que não acho possível confrontá-las ou medir suas virtudes e defeitos.
Creio que muito desse modo de me relacionar com as mulheres se deve ao fato de minha criação ter se dado em meio a um ambiente repleto de incisões do planeta feminino.
Apesar de fazer parte de famílias com características típicas patriarcais, sempre participei dos “bastidores do poder”. Muito observador, eu vivia na casa de tias, avós, em casa com a empregada doméstica, na empresa de meu pai entre uma sala e outra, constantemente cercado por mulheres dos mais diferentes tipos, estilos, idades, planos, pensamentos, atitudes.
Com este convívio passei a enxergar a força, o jogo de cintura e o real poder do sexo feminino como um todo e, em especial, dentro de minha família. Minha ambientação nestes círculos foi desde o início desapercebida por todas as partes, com naturalidade realmente espontânea.
Acredito ser este o motivo pelo qual não me sinto constrangido, intimidado ou busco me exibir superior na presença de mulheres, quantas ou quaisquer que foram suas ligações comigo. Simplesmente as amo em todos os aspectos, incondicionalmente.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Início


Bauru, Recanto do Pica-pau. Maio, dia 17 de 1990.
Cedo, bem cedo.
Não havia notado ainda tais fios longos e escuros. Não dessa maneira.
Ainda úmidos, recém lavados naquela manhã de sol. Um cheiro relaxante tomou conta dos sentidos com degustável maciez. Um por um foi se entregando ao momento.
Olfato. Assemelhava-se a um brinquedo há pouco tirado da caixa, roupa nova, carro zero.
Visão. Sentia a textura dos cabelos molhados e cuidados, frios, belos e delicados.
Paladar. Era tomado pelo sabor nostálgico-retrospectivo daquilo que ansiava provar mas ainda desconhecida a intensidade.
Audição. Silêncio, tudo foi subtraído para aguçar os demais sentidos, um escuro sonoro quase tátil.
Tato. Tudo sai de sintonia, destoa, assusta e surpreende. Sinto seu toque em meu braço: “Oi Dolpho, tudo bom?”
Não sei ao certo se demorei a responder ou me mantive calado a observá-la. Precisamos contar com a sorte em momentos como este, desta vez funcionou: “Bom dia, classe”, emitiu a professora ao entrar na sala.
Cabelos pretos, compridos e perfumados era o que domava meus sentidos. Olhos verdes e fortemente delineados ditavam meus olhares. Sobrancelhas de expressivos traços, pele morena e delicada, bochechas que conferiam parecer de boneca ao rosto. Inteligente. Extremamente inteligente e desafiadora. De gênio forte e incisivo, esta era Maíra.
Com apenas 6 anos era assim que minha história de amor por mulheres teve seu início. Sem conhecimento de sua abrangência, me rendia aos poderes desses seres tão fascinantes, dominantes, dóceis e maravilhosamente amáveis.